Desert Road

Preciso
de um salvador?

RETIRO DE ADVENTO
em etapas
a partir de textos de Isaías

29 nov

1ª etapa

6 dez

2ª etapa

13 dez

3ª etapa

20 dez

4ª etapa

preciso de um salvador?

retiro em etapas

O Advento é um recomeço. O ano da Igreja – o ano litúrgico – começa no Primeiro Domingo do Advento, e todo este tempo nos prepara para a celebração do Natal, o dia em que Jesus nasceu, o dia em que amanheceu uma nova esperança e em que teve início uma nova criação.

Até o mundo natural vê uma nova frescura no Natal: a escuridão do Inverno começa a desvanecer-se à medida que os dias começam a ficar mais longos.

O Advento e o Natal são, assim o entendemos, épocas de alegria, porque nos enchemos de esperança quando pensamos num recomeço e no seu potencial intrínseco. De facto, em certos momentos na vida, precisamos todos de recomeçar, porque todos erramos e caímos. O nosso pecado e o nosso egoísmo estragam a nossa vida e a vida dos que nos rodeiam. E Jesus vem com a sua graça salvadora para redimir esses falhanços e trazer uma vida nova.

No entanto, o olhar realista da sociologia lembra-nos que esta época é também um tempo de dispersão, de confusão e incerteza (ainda mais em tempos de pandemia), capaz de nos entristecer e exasperar. No meio do ambiente de esperança do Advento, a ansiedade toma conta de nós e desesperamos. Confrontados com a nossa fragilidade e vulnerabilidade, reconhecemos a nossa inaptidão para viver o recomeço que desejamos. A tristeza é o resultado. E a luz de Cristo parece distante e embaciada, e o medo vem ao de cima.

Esta era a situação do povo do Antigo Testamento durante o tempo de Isaías, cujas profecias lemos todos os anos ao longo do Advento e nas Missas de Natal.

Isaías é enviado por Deus para fortalecer a esperança do povo e dar alento à sua alegria. Neste retiro em etapas "Preciso de um Salvador?", vamos deixá-lo fazer o memso por nós. Esta primeira etapa ajudará a conhecer o núcleo primordial da mensagem de Isaías e a relação das suas palavras com a situação histórica do povo bíblico.

«Esta época é também um tempo de dispersão, de confusão e incerteza, capaz de nos entristecer e exasperar»

os quatro primeiros passos para rezar

1. Encontra um lugar tranquilo e solitário, para evitar tanto quanto possível as distracções, deixando que o silêncio tome o lugar da correria própria destes tempos antes do Natal. Pede a Deus que abra espaço em ti para que Ele entre.

2. Num ambiente de oração, recorda as pessoas na tua vida que precisam de ajuda para viver o tempo do nascimento de Jesus, ou para que a Sua presença na vida se faça sentir. Pede a Deus e à Virgem Maria que te revelem a forma pela qual podes ser uma testemunha verdadeira da fé e um ouvinte atento. Quem é que precisa do teu tempo, da tua paciência, do teu amor? Quem é que precisa de ajuda para celebrar Deus e o bem na sua vida?

3. Pede a Deus ajuda para, como João Baptista, saberes dar voz à Palavra que Deus é. Em que momentos deixas de falar da fé, por timidez ou vergonha ou por achares que não vem a propósito? Em que situações perdes oportunidades para levar o amor de Deus a quem precisa mais dele?

4. Decide, neste retiro, ouvi-l'O e deixares-te transformar por Deus.

Forest
 
 

Quem será
o meu salvador?

1ª etapa

Tendo vivido no século VIII aC, o Profeta Isaías atravessou os tempos duros do povo do Antigo Testamento. As duas superpotências dessa era, o Egipto e a Assíria, não tinham propriamente uma relação fácil e, tipicamente, Israel era apanhado no fogo cruzado. Com efeito, a pequena nação do povo escolhido por Deus ocupava precisamente o território que separava egípcios e assírios, sempre no risco de ser invadida, conquistada, dominada, por qualquer das duas forças políticas de então.

A Assíria, baseada na Mesopotâmia, em pleno Crescente Fértil, entre os rios Tigre e Eufrates, era um império em expansão, que iria acabar por se estender a todo o Médio Oriente. No tempo de Isaías, este alargar de fronteiras ia de vento em poupa, e acontecia em vários passos: primeiramente, o imperador assírio enviava um mensageiro à nação que queria absorver, oferencendo "simpaticamente" a possibilidade de essa nação continuar a existir, se se submetesse à autoridade dos assírios. Caso recusasse, o maior e mais poderoso exército de então abatia-se sobre esse território com sede de conquista e, assim que a vitória fosse alcançada – e era-o sempre –, o povo era quase completamente deportado e governadores assírios eram empossados na região.

Quer quisesse, quer não, quando um território era anexado ao Império Assírio e se tornava um seu vassalo, duas coisas se espravam: impostos exorbitantes e a obrigação de prestar culto e oferecer sacrifícios aos deuses assírios. No mundo antigo, de facto, a conquista nunca era apenas política e incluía igualmente a dimensão religiosa.

um reino dividido

Como se estar situado no meio do conflito entre assírios e egípcios não fosse suficiente, o povo israelita atravessa, no tempo de Isaías, um período de divisões internas. Pouco tempo depois da morte de Salomão, dez das doze tribos de Israel tinham-se rebelado contra o reino do Sul, que se passara a chamar Reino de Judá, com capital em Jerusalém, e tinham formado o seu próprio reino no Norte, com capital na Samaria, que se chamou simplesmente Reino de Israel. Origem ancestral dos samaritanos do tempo de Jesus, este Reino de Israel fizera alianças com outros povos palestinianos, de modo a alargar a sua influência política. E o clima de guerra civil estava instalado, com conflitos e pequenas guerrilhas a germinar a todo o tempo.

o coração da mensagem de isaías

Neste contexto, o jovem Isaías, um jerusalemita com educação acima da média e bem relacionado, é chamado por Deus, que lhe confia a missão de profetizar em seu nome. Ele próprio descreve esse momento em que ouve a voz do Criador:

No ano em que morreu o rei Uzias, vi o Senhor sentado num trono alto e elevado; as franjas do seu manto enchiam o templo. Então disse: «Ai de mim, estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, que habita no meio de um povo de lábios impuros, e vi com os meus olhos o Rei, SENHOR do universo!». Um dos serafins voou na minha direcção; trazia na mão uma brasa viva, que tinha tomado do altar com uma tenaz. Tocou na minha boca e disse: «Repara bem, isto tocou os teus lábios, foi afastada a tua culpa, e apagado o teu pecado!». Então, ouvi a voz do Senhor que dizia: «Quem enviarei? Quem será o nosso mensageiro?» E eu disse: «Eis-me aqui, envia-me». O Senhor replicou: «Vai...».

– Isaías 6, 1.5-9a

Depois de séculos de disputas e de corrupção, no meio de uma realidade política precária e volátil, o povo de Judá estava longe de se sentir seguro de si. Desesperadamente, desejava estabilidade, prosperidade e paz. É neste contexto que Deus escolhe Isaías como seu mensageiro para explicar como alcançar tudo isto. E o coração da sua mensagem permanece ao longo dos 66 capítulos do seu livro: para que sejam salvos da devastação e da conquista, é urgente pôr a sua confiança, não na mais brilhante das diplomacias, não na mais astuta das estratégias e das alianças terrenas, mas em Deus e em Deus somente. Ele é o único Salvador, e uma obedência confiada à sua vontade é o único caminho para a salvação. É à volta desta ideia que discorre Isaías em toda a sua obra.

Uma tal mensagem vem ao de cima com dramática claridade no capítulo 30. Em primeiro lugar, o profeta faz notar a futilidade da aliança com o Egipto:

O Senhor declara: «Ai de vós, filhos rebeldes, que fazeis projectos sem contar comigo, que estabeleceis alianças contrárias ao meu espírito, acumulando, assim, pecados sobre pecados! Tomais o caminho do Egipto sem me consultar; ides pedir protecção ao Faraó e abrigo à sombra do Egipto. Mas a protecção do Faraó será a vossa vergonha, e o abrigo do Egipto será a vossa humilhação.

– Isaías 30, 1-3

Em seguida, aponta o verdadeiro caminho:

Vede o que diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: «A vossa salvação está na conversão e em terdes calma; a vossa força está em terdes confiança e em permanecerdes tranquilos.» Mas não quisestes.

– Isaías 30, 15

Ao longo dos seus escritos, Isaías prediz não apenas os acontecimentos políticos do seu tempo, como o cerco fracassado de Jerusalém pela Assíria em 701 aC, ou os eventos futuros, como a destruição de Jerusalém pelos babilónios em 587 aC, o exílio dos Judeus e o seu término surpreendente em 538 aC. Na verdade, Isaías prediz também o Acontecimento Maior do qual todos os feitos do Antigo Testamento são mera sombra: o nascimento virginal de Jesus, filho de Maria, filho de Deus, o seu ministério na Galileia, a sua dupla natureza humana e divina, a sua paixão e ressurreição, e o anúncio da verdadeira fé para fora das fronteiras de Israel, a todos povos, línguas, tribos e nações da terra. Isaías, por tudo isto, tem um papel central no Advento e no Natal.

E, ainda assim, entre todas estas profecias e exortações, o coração da sua mensagem permanece: Deus quer ser o nosso Salvador, e se o deixarmos, Ele e só Ele o fará.

conclusão: a tentação perene

Infelizmente, o povo para quem Isaías foi enviado recusou a sua mensagem, decidiu que não precisava de um salvador e escolheu ser salvador de si próprio. Na sua peleja por controlar os poderes deste mundo, o povo confiou em deuses pagãos e em reis pagãos, esperando que lhes trouxesse a paz e a felicidade tão longamente desejada.

Esta é também a tentação perene que recai sobre todos nós, de uma forma especial nos nossos tempos pós-modernos, em que a ciência e a técnica nos oferecem mais controlo do que nunca sobre as coisas que nos rodeiam. Estamos tão tentados a ser salvadores de nós mesmos, a construir pelos nossos meios a nossa felicidade privada. Esquecemo-nos tão facilmente de procurar alimento e força no abandono da vida nas mãos de Deus e no acolhimento da Graça que Ele nos oferece continuamente.

Os perigos espirituais que cada um de nós enfrenta diariamente não mudaram muito desde os dias de Isaías. E o Advento é o tempo favorável para nos dirigirmos a Deus na simplicidade do coração e conversar com Ele sobre a nossa resposta à mesma pergunta: preciso de um salvador?

Talvez seja esta a melhor maneira de nos prepararmos para o Natal.

para rezar

1. De que maneira dependo objectivamente de Deus?

2. Em que áreas da minha vida tendo a ter pouca confiança em Deus?

3. Como é que a minha "obediência confiante" a Deus se vê na minha vida?

4. O que é que posso fazer neste Advento para renovar e aprofundar a minha relação com aquele que vem para que tenha a vida e a tenha em abundância?

o salvador
que vem

2ª etapa

O núcleo fundamental da mensagem de Isaías, como vimos na primeira etapa, era a sua exortação para que pusessemos toda a nossa esperança e confiança em Deus e na obediência à sua vontade, em vez das tentativas de alcançar a felicidade sem Ele, apenas por meio dos nossos esforços e da nossas próprias capacidades, sempre tão limitadas e tantas vezes ilusórias.

 

 

 

Isaías, no seu tempo, avisou o povo de Israel que a recusa d'Ele da sua vontade havia de fazer que as coisas não corressem pelo melhor: haviam de ser invadidos, conquistados e exilados. E assim aconteceu: em 586 aC, a cidade de Jerusalém foi destruída, e o povo de Judá foi deportado para a Babilónia. E parecia que o fracasso de Israel, primeiro diante da Assíria e agora diante dos babilónios, significava o fim de uma história. Mas não. Isaías profetizara algo mais: lembrara o povo de que ainda que lhe sejamos infiéis, Deus permanecerá fiel.

Com efeito, Deus tinha prometido, por meio de Isaías e de outros profetas, que havia de fazer regressar Israel do exílio, de volta para a Terra Prometida, que havia de enviar um salvador que redimiria Israel e reconstruiria Jerusalém. E também essa promessa se cumpriu: em 539 aC, os persas conquistam a Babilónia e o novo imperador, Ciro, permite que os judeus regressem à sua terra.

«Ainda que lhe sejamos infiéis, Deus permanecerá fiel»

um reino diferente

Mas nem isso foi o fim de uma história. Depois do regresso do exílio, as perseguições e a injustiça não deixaram de recair sobre os judeus, que nunca alcançaram o céu-na-terra por que esperavam. Pouco a pouco, à medida que iam reflectindo sobre a sua situação, foi-se tornando claro que as profecias encerravam um significado mais profundo e que nenhum reino nesta terra havia de conseguir trazer o signifciado e a felicidade que almejavam há tanto tempo. Com efeito, o judaísmo antigo começou a perceber que Deus tinha um plano maior e que enviaria um redentor, um salvador, que estabeleceria o seu reino, um reino celeste.

Este salvador é Jesus Cristo, cujo primeiro discurso, no Evangelho de São Marcos, avisa desde logo que as promessas estão a ser cumpridas:

Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho.

– Marcos 1, 15

Ao longo dos Evangelhos, de facto, vemos Jesus referir-se às profecias antigas e propondo-se a si mesmo como aquele em quem o cumprimento se alcança. É por esta razão que a liturgia do Advento e do Natal recorrem com tanta frequência ao Livro de Isaías. O Advento e o Natal centram-nos no nascimento do Salvador, em quem Deus cumpre as suas promessas de redenção e salvação.

Neste tempo, por isso, a Igreja convida-nos a parar e a saborear estas promessas e o seu cumprimento no menino do presépio. Do mesmo modo, a Igreja também nos propõe que antecipemos com o coração e com a inteligência o cumprimento último de tudo isto quando Jesus Cristo vier no fim da história.

Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles
e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Porque as primeiras coisas passaram.

– Apocalipse 21, 4

deus abre o coração

Neste sentido, estas profecias são uma revelação da fidelidade e do compromisso de Deus em favor de cada um de nós, do seu amor e interesse pela nossa vida concreta, e do seu desejo por fazer descer a salvação e a graça redentora sobre o nosso coração. Vale a pena aproveitar o tempo desta meditação para aceitar o convite que a Igreja nos faz a experimentar e considerar a beleza destas expressões do amor que Deus nos tem.

Um dos passos mais conhecidos de Isaías é o nono capítulo, que começa pelo contraste entre as trevas e a luz, referindo-se à vida sob o invasor ou no exílio como a vida nas trevas, e à acção salvadora de Deus como o advento da luz nova. Isaías diz:

O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor.

– Isaías 9, 1-3

A "terra de sombras" refere-se, como dizíamos, não apenas à vida sob o jugo dos opressores, mas também à vida neste mundo sempre falível e provisório, particularmente a uma vida em ruptura com a graça de Deus e escurecida pelo pecado.

 

De Jesus, que no Evangelho de São João se apresenta como Luz do Mundo (Jo 8), podemos receber o perdão dos pecados, a esperança do Céu e uma felicidade duradoira e preenchida de significado. É esta a alegria multiplicada e o contentamento aumentado de que fala Isaías e que os Israelitas experimentaram, ainda como figura do que havia de vir, no regresso do exílio. Por outro lado, o jugo, o madeiro e o bastão são, todos eles, símbolo da opressão tanto dos assírios como dos babilónios, e sobretudo da opressão que o pecado e a o vazio de sentido trazem para a nossa vida. A mensagem e a graça de Cristo libertam-nos de toda essa sombra, se ao menos acreditarmos nelas. Nele, Deus esmaga o poder do mal, tal como Gedeão, que o Livro dos Juízes nos apresenta como juiz justo, esmagara o poder dos Madianitas que tinham perseguido o povo no norte da Palestina, ainda muito antes do tempo de Isaías e do exílio.

Um menino que reinará para sempre

A profecia continua, dizendo: 

Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

– Isaías 9, 4-6

Isaías fala do fim da violênca que subjugara Israel, a violência da guerra e da injustiçã. E, surpreendentemente, é um menino que lhe porá um fim, um menino que herdará o trono de David, estabelecendo a paz, o direito e a justiça onde houvera guerra e opressão. Porém, ao contrário do reino de David, que a invasão da Assíria e da Babilónia tinha feito passar, o reino deste Príncipe da paz há-de ter lugar agora e para sempre.

 

Olhando para a cena do presépio no estábulo de Belém, é este menino que contemplamos. Quando os magos vêm para o adorar e para lhe oferecer presentes, é a este menino que adoram. Quando os anjos aparecem gloriosamente e anunciam aos pastores o nascimento do Salvador e do Messias, é sobre este menino que falam.

conclusão: quem quer deus ser para nós

No Próximo Oriente antigo, era comum que um rei, quando era entronizado, escolhesse um nome diferente, um nome real, que dava conta de certas qualidades ou proezas, descrevia a grandeza do rei e servia como fonte de esperança para os seus súbditos. No passo de Isaías que citávamos, ao futuro Messias são dados quatro destes nomes reais, nomes que pretendem revelar o que Deus quer ser para cada um de nós e o que será, de facto, se pusermos nele a nossa confiança e a nossa esperança.

· Este menino quer ser o nosso Conselheiro admirável, alguém cuja sabedoria conduz os seus discípulos por caminhos extraordinários e maravilhosos.

· Este menino quer ser o nosso Deus forte, o Deus que realiza as suas obras poderosas, o Todo-Poderoso, para nos mostrar que o Messias partilha com Deus a sua natureza e porá o seu poder divino ao serviço dos que o seguem.

· Este menino quer ser o nosso Pai eterno, Pai para sempre, que cuidará dos seus filhos com a bondade e a suavidade de um verdadeiro Pai.

· Este menino quer ser o nosso Príncipe da paz, um príncipe que promete dar ao seu povo as condições para que possa florescer e deixar vir ao de cima todas as suas possibilidades.

 

É este o nosso Deus, e é esta a revelação que faz de si mesmo, do tipo de Salvador que quer ser para cada um de nós, começando nesta vida e estendendo a sua soberania por toda a eternidade. E nós precisamos deste salvador, precisamos de crescer cada dia na fé e na confiança em Jesus, de tal maneira que Ele, por sua vez, possa ser para nós todas estas coisas, sempre mais e mais. O Advento e o Natal acontecem-nos, cada ano, para que este crescimento possa ter lugar e para que possamos voltar a nossa atenção e a nossa vida para Deus, renovando a obediência e deixando que seja, de facto, salvador.

 

Valerá a pena aproveitar esta meditação para fazer um longo tempo de silêncio para nos dirigirmos a Deus, com simplicidade, e falarmos sobre o Seu desejo de ser Salvador para nós, de nos trazer a sua luz e a sua graça para lugares cada vez mais profundos da nossa vida.

para rezar

1. Em que momento da minha vida experimentei com mais clareza a luz e a alegria que Jesus pode trazer àqueles que o seguem? Trago à memória esses momentos e agradeço-os a Deus. Peço-lhe que me faça viver mais dias assim.

2. Das pessoas que conheço, quem pode estar a sofrer a opressão e as trevas que o pecado e as dependências trazem à vida? Rezo por esses, para que encontrem em Jesus um salvador. O que é que posso fazer para lhes trazer alguma esperança?

3. De que é que gosto mais no Advento e no Natal? De que modo é que essas coisas se ligam ao tipo de salvador que Jesus quer ser para mim? Como é que posso usar tudo isso para aprofundar a fé, aumentar a confiança e alargar a esperança?

Flower Patterned Wall
 

preparar a vinda do salvador

3ª etapa

Como vimos na etapa anterior, as profecias de Isaías encerram um significado que não se cumpre no imediato, e que são, no dizer de Bento XVI, «uma palavra à espera». Nos nossos dias, lendo Isaías à luz do mistério de Cristo, o pleno cumprimento das palavras do Profeta foi alcançado. Esta terceira etapa quer ser um encontro com novos textos de Isaías que "trazemos" para o Advento a fim de que nos ajudem, à luz da experiência de Deus do povo de Isreal,  a pensar e a rezar a vida cristã hoje.

A segunda parte do livro de Isaías, comummente chamada Deutero-Isaías, reúne os escritos proféticos da escola do Profeta, especialmente pertinentes entre os exilados de Isreal. Estamos na fase final do Exílio, entre 550 e 539 aC, numa época peculiar: muitos dos exilados estão frustrados e desorientados, sem entender por que razão permitiu Deus o drama da derrota e do Exílio; outros estão instalados e acomodados e já não pensam em regressar à sua terra nem esperam nada de Deus.

 

Na fase final desta época, as notícias das vitórias de Ciro, o persa, sobre os babilónios, fazem esperar um rápido desmoronar do império babilónico e a libertação dos judeus exilados. Porém, se essa libertação chegar – perguntam os exilados – a quem é que deve ser atribuída: ao Deus de Israel, ou aos deuses persas? Se é ao Deus de Israel, fica por responder por que é que Ele escolheu um estrangeiro e não um membro do Povo de Deus para realizar a obra maravilhosa da libertação? No caso de a libertação acontecer, fica também por responder se valerá a pena arriscar o regresso e enfrentar as dificuldades do recomeço? Haverá, ainda, um futuro para este povo que parece ter sido abandonado pelo seu Deus?

o livro da consolação

Neste contexto, Deus envia Isaías para consolar o seu povo, e os textos desta fase estão reunidos no chamado Livro da Consolação (Isaías 40 – 55). Neles, o Deus de Israel «fala ao coração» dos exilados, e aponta-lhes as razões da esperança.

Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei-lhe em alta voz que terminaram os seus trabalhos e está perdoada a sua culpa, porque recebeu da mão do Senhor duplo castigo por todos os seus pecados.

– Isaías 40, 1-2

Os exilados compreendiam de que a experiência dolorosa que atravessavam era consquência do seu afastamento de Deus, e viviam angustiados, afogados em sentimentos de culpa, sentindo-se em transgressão, pecadores e indignos de Deus.

Sobre os rios de Babilónia nos sentamos a chorar,

com saudades de Sião.

Nos salgueiros das suas margens,

dependurámos nossas harpas.

Aqueles que nos levaram cativos

queriam ouvir os nossos cânticos

e os nossos opressores uma canção de alegria:

«Cantai-nos um cântico de Sião».

Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor

em terra estrangeira?

Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,

esquecida fique a minha mão direita.

Apegue-se-me a língua ao paladar,

se não me lembrar de ti,

se não fizer de Jerusalém

a maior das minhas alegrias.

– Salmo 136 (137)

Com efeito, a mera memória de Jerusalém era devastadora, como canta o salmista; não era suportável sequer cantar um cântico de Sião. É este o contexto em que Deus fala ao povo, por meio de Isaías, dizendo que o tempo da ruptura e do afastamento terminou e chegou o tempo do reencontro, o tempo de refazer a comunhão e de reconstruir a Aliança. O profeta utiliza, para expressar esta mensagem de perdão, duas imagens.

 

A primeira é uma imagem ligada ao mundo militar: o tempo de serviço que o Povo foi obrigado a cumprir já terminou (a palavra utilizada pelo profeta designa com frequência, na língua hebraica, o tempo de vassalagem forçada, o tempo obrigatório de serviço no exército). A segunda é uma imagem ligada ao mundo litúrgico: o castigo que o Povo sofreu foi aceite pelo Senhor, como se se tratasse de um sacrifício de expiação (esses sacrifícios de expiação que a liturgia de Israel tão bem conhecia e que serviam para refazer a comunhão com Deus, depois do pecado do Povo).

a voz que clama no deserto

Com efeito, ainda no enquadramento de uma consolação, Isaías apresenta uma misteriosa voz que convida a preparar, no deserto, a vinda do Salvador.

Uma voz clama: «Preparai no deserto o caminho do Senhor, abri na estepe uma estrada para o nosso Deus. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas. Então se manifestará a glória do Senhor e todo o homem verá a sua magnificência, porque a boca do Senhor falou».

– Isaías 40, 3-5

 

O tema do deserto leva-nos ao Êxodo, a esse acontecimento fundamental da história e da fé de Israel que foi a libertação do Egipto e a viagem da terra da escravidão para a terra da liberdade, uma viagem não apenas geográfica, mas sobretudo espiritual, em que o povo fez a grande experiência de encontro com Deus, amadureceu a sua fé e passou de uma mentalidade de egoísmo e de escravidão para uma mentalidade de comunhão e de liberdade.

A referência ao caminho pelo deserto, que é preciso preparar, ajuda-nos a perceber que Deus promete um novo Êxodo para o seu povo. O profeta anuncia aos exilados que Deus vai traçar um caminho fácil, direito, glorioso, triunfal, pelo qual os exilados irão passar da terra da escravidão à terra da liberdade. Trata-se, uma vez mais, de um caminho sobretudo espiritual, em que poderão fazer uma nova experiência do amor e da bondade de Deus e redescobrir os caminhos da comunhão e da aliança.

A notícia boa e bela

No seguimento da profecia, Isaías coloca-nos diante de um mensageiro, que eleva a sua voz sobre uma alta montanha e proclama uma "boa notícia", "uma notícia revestida de beleza e de bondade", a ser anunciada a Jerusalém e às outras cidades de Judá.

Sobe ao alto dum monte, arauto de Sião! Grita com voz forte, arauto de Jerusalém! Levanta sem temor a tua voz e diz às cidades de Judá: «Eis o vosso Deus. O Senhor Deus vem com poder, o seu braço dominará. Com Ele vem o seu prémio, precede-O a sua recompensa. Como um pastor apascentará o seu rebanho e reunirá os animais dispersos; tomará os cordeiros em seus braços, conduzirá as ovelhas ao seu descanso».

– Isaías 40, 9-11

O Deus do Êxodo «vem com poder, o seu braço dominará», e conduz pessoalmente o seu povo de regresso à Terra Prometida. Ele é o Pastor que reúne o seu rebanho, que o apascenta, que cuida das ovelhas mais frágeis e as conduz «ao seu descanso», que oferece de novo ao seu Povo a vida e a fecundidade. A referência às ovelhas mais fracas e às ovelhas recém-nascidas, objecto de um especial cuidado de Deus como pastor, sublinha o amor, a ternura e a solicitude pelo seu povo. Trata-se, sem dúvida, de uma mensagem de consolação destinada a acordar nos exilados a fé e a esperança.

Paradoxalmente, é também este o apelo da cena do presépio, em que Deus se apresenta como menino, criança indefesa e desarmada. Não há que temer a Deus: Ele, que podia vir na sua glória e majestade, com "pompa e circunstância", escolhe vir até nós na fragilidade de um recém-nascido, mendigando o nosso amor.

conclusão: o exílio que vivemos
pode ter um fim

Hoje, também nós somos exilados, também temos saudades dos tempos em que, como o povo de Israel em Sião, a proximidade com Deus era mais evidente no dia-a-dia, e a amizade com Jesus marcava mais profundamente a nossa existência. Também a nós Deus quer consolar, e promete a sua vinda.

Com efeito, a mensagem de consolação desta profecia anuncia ao povo amargurado, desiludido e frustrado que Deus não o abandonou nem esqueceu e que vai actuar no sentido de lhe oferecer de novo a vida e a liberdade. Estamos diante de um extraordinário "capital de esperança", oferecido ao povo de Deus de todas as épocas e lugares.

 

Do mesmo modo, sentimo-nos nos nossos dias esmagados e frustrados porque a violência e o terrorismo marcam com sangue e sofrimento a vida de tantos dos nossos irmãos, ou porque os pobres e os fracos são esquecidos e colocados à margem da história, ou porque uma pandemia nos assola e revela ainda o nosso egoísmo, a nossa indiferença e a exclusão a que sujeitamos tantos irmãos.

 

O profeta garante-nos que Deus – esse Deus que é eternamente fiel aos compromissos que assumiu para com os seus filhos – não está alheado da nossa história, e continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-Se para nos conduzir com amor e solicitude ao encontro da verdadeira vida e da verdadeira liberdade.

No mesmo sentido, a mensagem do profeta foi particularmente questionadora para aqueles exilados que já não pensavam em regressar à sua terra nem se esforçavam minimamente por escutar os apelos e os desafios de Deus. Instalados e acomodados, haviam perdido a capacidade de arriscar e a vontade de começar um novo caminho com Deus. A mesma mensagem interpela todos os que vivem hoje acomodados nos seus espaços seguros e protegidos ou resignados a uma vida banal, vazia, cinzenta, insípida, e convida-os a abrir o coração à novidade de Deus. É preciso correr riscos, aceitar despojar-se do egoísmo, do comodismo, do materialismo, da escravidão dos bens, dos preconceitos, para percorrer, com Deus, esse caminho de regresso à vida nova da liberdade.

para rezar

1. Em concreto, o que é que me impede de percorrer o caminho que Deus me propõe e de nascer para uma vida mais livre e mais feliz? Os bens materiais? A posição social? O comodismo? O medo?

2. O Advento é o tempo favorável para limpar os caminhos da minha vida, para que Deus possa nascer em mim e, através de mim, nos outros. Quais são os vales do meu medo que precisam de ser alteados? Quais são os montes do meu orgilho que precisam de ser abatidos? Quais são os caminhos das minhas oprções que precisam de ser endireitados para que Deus possa vir ao nosso encontro?

Image by Jeremy Bishop
 

a missão profética

do cristão

4ª etapa

Cada um de nós é um profeta. Passámos a sê-lo no dia em que fomos baptizados. É assim que o Catecismo da Igreja Católica explica:

Os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Baptismo, constituídos em povo de Deus e feitos participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão.

– Catecismo da Igreja Católica, 897

 

Quando somos baptizados, tornamo-nos participantes da vida e da missão de Jesus Cristo, que tem uma dimensão sacerdotal, real e profética. Mesmo não sendo padres ou bispos, somos chamados a viver a partir da Palavra de Deus e a anunciá-la, e a ser, nos meios em que nos movemos, aquilo que Isaías foi para os seus.

espalhar a luz

Ser porfeta não significa, no entanto, que sejamos capazes de prever o futuro; a profecia, tal como entendida na Bíblia, está muito para lá de uma espécie de adivinhação. Na verdade, podemos entendê-la não como um adivinhar do futuro, mas como um anúncio da verdade, da verdade sobre o plano de amor que Deus tem para salvar a humanidade, e de como cada um de nós o pode experimentar. Tendo recebido a graça de Deus, fomos constituídos mensageiros do Rei, e apóstolos do seu reino. O Catecismo continua:

Cristo [...] realiza a sua missão profética não só através da hierarquia [...], mas também por meio dos leigos. Para isso os constituiu testemunhas, e lhes concedeu o sentido da fé e a graça da Palavra»: «Ensinar alguém, para o trazer à fé, é dever de todo o pregador e, mesmo, de todo o crente.

– Catecismo da Igreja Católica, 904

Foi-nos dada, com efeito, a «graça da palavra», e as nossas palavras são poderosas. Quando falamos de Cristo aos outros, ou quando procuramos explicar o que significa acreditar nele e segui-lo, a graça de Deus trabalha em nosso favor e actua nas nossas palavras. Parte do que somos e do que Deus nos chama a ser, uma tal realidade não requer qualquer atributo carsimático ou performativo, e é algo que pode acontecer no meio das nossas ocupações diárias, mais a partir do que somos e menos a partir do que fazemos.

Os leigos realizam a sua missão profética também pela evangelização, «isto é, pelo anúncio de Cristo, concretizado no testemunho da vida e na palavra». Para os leigos, «esta acção evangelizadora [...] adquire um carácter específico e uma particular eficácia, por se realizar nas condições ordinárias da vida secular».

– Catecismo da Igreja Católica, 905

 

Deus quer, como víamos, ser Conselheiro Admirável, Pai eterno, Príncipe da paz para cada um de nós. Como resposta, somos chamados a facilitar o caminho daqueles que nos rodeiam no acolhimento do Salvador e na vivência de uma vida que se transfigura pela confiança posta em Deus e pela obediência à sua vontade. Como Isaías, somos profetas; e mesmo que não nos sintamos como tal, precisamos de saber que a fé supera o sentimento e que, como cristãos, somos testemunhas do amor de Deus, da sua bondade e da sua misericórdia. E ser testemunha implica, não raras veezes, falar de Jesus. O Papa São Paulo VI explicou tudo isto num dos seus escritos:

A Boa Nova proclamada pelo testemunho da vida deverá, mais tarde ou mais cedo, ser proclamada pela palavra da vida. Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados.

– Papa São Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, 22.

Jesus é a cura

Podemos pensar tudo isto do seguinte modo: se tivessemos descoberto a cura para uma doença como o cancro, a única coisa aceitável seria partilhar uma tal descoberta com aqueles que sofrem da doença. Mesmo se a cura fosse amarga, dolorosa e difícil, guardá-la para nós mesmos com medo de ofender alguém que, estando doente, pudesse receber mal a amargura da cura seria uma falta de caridade, e mesmo um acto de egoísmo.

 

Parece bastante óbvio. E, ainda assim, quando se fala de uma doença espiritual, o óbvio torna-se, por vezes, obscuro. Jesus Cristo é verdadeiramente a cura para os nossos males morais e espirituais, Ele é o Salvador. E os seus ensinamentos, preservados na Igreja, outra coisa não fazem a não ser apontar o caminho para uma vida sã e feliz.

Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida.

– João 8, 12

Conhecer Jesus, aceitá-lo e segui-lo é abrir a porta para a liberdade interior e para o cumprir da nossa existência por que tanto ansiamos:

Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.

– João 8, 31-32

Jesus Cristo não é apenas mais um entre os grandes filósofos da humanidade, nao é apenas mais um entre os fundadores das religiões, não é apenas mais um entre os sábios mestres da terra: Ele é o Filho de Deus incarnado, a segunda pessoa da Santíssima Trindade que se faz homem, o único Salvador do mundo. Tudo isto tinha já ficado claro na Última Ceia:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.

– João 14, 6

E também os apóstolos o reiteraram:

E não há salvação em nenhum outro, pois não há debaixo do céu qualquer outro nome, dado aos homens, que nos possa salvar.

– Actos dos Apóstolos 4, 12

Quando procuramos a felicidade, a paz interior, o sentido e o significado de existirmos, procuramos por Jesus, mesmo se não temos consciência e particularmente quando o ponto de partida está, em nós, repleto de trevas, vazio, exílio. Ele é, com efeito, a cura – a única cura – para o nevoeiro espiritual em que frequentemente nos encontramos, que pode ser extraordinariamente doloroso e devastante, apesar das aparências.

tu tens a cura!

Só Jesus pode perdoar o pecado e curar as feridas que deixa. Só Jesus pode trazer resposta às questões existenciais do coração humano. Só os seus ensimanentos nos podem guiar através dos labirintos morais do nosso mundo pós-moderno. E tu conheces Jesus, acreditas n'Ele, estás a par dos seus ensinamentos: tu tens a cura para o sofrimento do teu próximo – vais guardá-la para ti?

É certo que não podemos forçar que aceitem Jesus, mas somos chamados a anunciá-lo e a falar sobre Ele. Sem isso, alguns dos nossos, muitos dos que se cruzam connosco no dia-a-dia podem perder a oportunidade para pôr a sua fé e a sua confiança em Deus. São Paulo, aos Romanos, dizia:

Todo o que invocar o nome do Senhor será salvo. Ora, como hão-de invocar aquele em quem não acreditaram? E como hão-de acreditar naquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, sem alguém que o anuncie?

– Romanos 10, 13-14

Falar de Jesus, partilhar o Evangelho, explicar as razões da doutrina e da moral cristã é uma dimensão fundamental da missão dos cristãos, e um modo claro de amar o próximo e de exercer a faceta profética da vocação de baptizados.

fazer os trabalhos de casa

Frequentemente, exercemos esta missão profética sem que tomemos consciência dela, mas, noutros casos, Deus pede-nos especificamente que falemos dele intencionalmentae, em situações que podem não parecer tão intuituvas. Por outras palavras, é possível que, algumas vezes, Deus queira que tomemos a iniciativa e que falemos especificamente da fé – e precisamos de estar prontos e dispostos a fazê-lo. É comum que nos deparemos com perguntas directas ou com conversas onde o assunto Deus está subjacente: precisamos de nos saber expressar e de procurar saber como responder. E precisamos também de pedir a Deus a coragem para intervir quando é necessário ou quando surge a oportunidade.

 

Quando assim for, é necessário ter feito o trabalho de casa: ainda que nunca tenhamos a resposta para todas as questões ou objecções, mas ficar sempre calado por falta de conhecimento não é opção.

o método e a forma são relevantes

Como seria de esperar, o método e a forma por meio dos quais falamos de Jesus são uma parte importante da missão profética que somos chamados a desempenhar. Sem humildade ou respeito, o que dizemos nunca será ouvido. Com efeito, não é uma questão de vencer um argumento ou de deixar os outros sem resposta, é – isso sim – uma questão de amar mais.

para rezar

1. O que é que o facto de saber que tenho uma vocação profética, ao jeito de Isaías, muda na minha vida?

2. Até que ponto conheço a doutrina e a moral da Igreja?

3. Com quem me é fácil falar de Jesus? E com quem é que me é difícil?

4. Quais são os meus medos quando preciso de falar de Deus? O que é que me retrai?

 

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