O DISCÍPULO E O MESTRE

RETIRO para a QUARESMA
em etapas

É na Carta aos Romanos que está um dos versículos mais impressionantes de toda a Bíblia:

Sabemos que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio.

– Romanos 8, 28

Impressiona-nos, de facto, o «tudo». São Paulo está, de facto, a dizer que de tudo – mesmo de tudo – até de coisas que nos repugnam como o tráfico humano ou o homicídio, Deus pode tirar bem. Com efeito, se amamos a Deus, se procuramos em Deus o sentido das nossas vidas, então Deus vai redimir tudo.

É admirável a confiança de Paulo em Jesus, a confiança do discípulo no seu mestre. E é normal que demos por nós muito aquém deste tipo de confiança total, muito longe da certeza paulina de que em tudo – mesmo em tudo – podemos confiar em Deus. Assim:

1. Na primeira etapa, numa viagem até ao Jardim do Éden, a proposta é que mergulhemos nas razões pelas quais é tão difícil confiar em Deus.

2. Na segunda etapa, por outro lado, a proposta é irmos até ao Jardim das Oliveiras, ao Getsémani, e observar como Jesus reconstrói a ponte da confiança entre a Deus e a humanidade, e que a Quaresma quer reproduzir.

A Quaresma, na realidade, é o tempo favorável para restaurar a confiança do discípulo que queremos ser no Mestre que Jesus sempre foi. Desde os primórdios do Cristianismo, este tempo de penitência e oração não é um castigo nem um tempo negativo da vida cristã. Pelo contrário, é o tempo da Primavera, em que a confiança volta a florescer, em que Jesus refresca aquele momento originário em que nos chamou a segui-lo, e em que podemos preparar convientemente a renovação da vida espiritual que Deus quer fazer acontecer em cada Páscoa. Vamos, por isso, centrar-nos na Última Ceia.

3. A terceira etapa leva-nos, assim, ao que se passava no íntimo de Jesus durante a sua última refeição com os seus discípulos mais próximos.

4. A quarta etapa dá-nos conta daqueles que podem ser vistos como os três dons fundamentais que Jesus deixou à Igreja nesse momento, e da esperança que Jesus tem no modo pelo qual esses dons podem transformar a nossa vida.

A Última Ceia, no etanto, não é um fim em si mesma, mas o momento em que Jesus prepara e forma os Doze para o que se passaria no dia seguinte. No centro das celebrações da Páscoa está a Cruz.

5. Na quinta etapa, veremos que a Cruz é central para o próprio Cristo: é carregando a Cruz que Jesus toma para si o pecado do mundo; é morrendo na Cruz, com obediência e amor, que Jesus perdoa o pecado do mundo; é pela Ressurreição que o Crucificado faz da Cruz o estandarte da sua vitória sobre a morte.

 

6. Na última etapa, a proposta é que aprofundemos as razões de a Cruz não poder deixar de ser central também para a vida dos cristãos.

 

o discípulo e o mestre