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a confiança morre no jardim do éden

1ª etapa

Os primeiros dois capítulos da Bíblia dão-nos um retrato de Deus sem paralelo em qualquer outra tradição religiosa do mundo antigo. É certo que há outras religiões na antiguidade em cujos mitos e narrativas encontramos um Deus poderoso e, nalguns casos, também um Deus criador. Porém, nelas, Deus é sempre distante, frio, sem interesse nos assuntos humanos, temperamental e imprevisível, como uma força cósmica violenta.

O Deus bíblico é radicalmente diferente. No Génesis, Deus é superior às forças cósmicas e transcende-as. A cada dia da criação, o Deus do Génesis como que recua um passo para contemplar e admirar a sua obra, e vê que tudo é bom.

Cada uma das realidades criadas é concebida e trazida à existência por Deus, que a enche da sua sabedoria e a preenche do seu amor. A criação, com efeito, não é apenas boa. Tem também um propósito, um sentido, uma vocação: serve para ser o lugar amplo e novo onde a humanidade pode crescer e multiplicar-se.

No mesmo sentido, no que toca à criação do ser homem e da mulher, Deus  envolve-se ainda mais e torna-se pessoal e próximo: ao formar o homem do pó da terra, põe as mãos na terra por nós; ao dar-nos a vida, aproxima o seu rosto e insufla o seu próprio sopro; quando os leva para o jardim, não os abandona mas permanece com eles, próximo, todos os dias, numa relação em que Deus, descreve o Génesis, passeia e conversa com o homem e a mulher, durante a brisa da tarde.

um mundo feito a partir da confiança

Os primieros dois capítulos da Bíblia, na verdade, retratam um Deus que é puro bem, pura sabedoria, pura generosidade e amor. É este o Deus da Bíblia – um Deus absolutamente, completamente, infinitamente confiável.

Na verdade, tendo recebido tudo das mãos de Deus, o homem e a mulher são chamados, em resposta, a contribuir para «encher e dominar a terra» (Gn 1, 28), e para «cultivar e guardar o jardim do Éden» (Gn 2, 15). O mundo é, nas origens, uma colaboração de amor entre Deus e a família humana, uma amizade verdadeira e partilhada, tornada possível pela bondade do Criador, construída numa confiança mútua: Deus confia a criação ao homem e à mulher, e estes, por sua vez, confia-se a si mesmos ao cuidado e à providência de Deus, por meio da obediência à sua sabedoria, o que inclui o reconhecimento dos seus limites.

Na Bíblia, é a restrição de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal que expressa esses limites. E enquanto esta relação de confiança mútua subsitir, a harmonia e a justiça da Criação também subsistem.

Por outras palavras, a confiança está no núcleo basilar da nossa identidade e da nossa missão, e é fundamental para que a nossa existência tenha significado e propósito.

A entrada do mal

Voltando ao Génesis, sabe-se bem o que se passou a seguir. A serpente, representação simbólica do mal, entrou sub-repticiamente no Jardim do Éden, e «ataca» o homem e a mulher, espiritualmente, reivindicando uma lista de mentiras, semeando suspeição. Depois da conversa com a cobra, o homem e a mulher duvidam da confiabilidade de Deus e dos motivos que Deus tinha quando lhes pedira o respeito pelas suas limitações naturais, isto é, o respeito pela determinação divina do que é bem e mal. Com efeito, a serpente sugere que a humanidade não tem, na realidade, qualquer limite natural e que, se se libertassem do jugo da obediência forçada a Deus, haviam de se tornar omnipotentes, «como deuses» (Gn 3, 5).

Assim, é a confiança – aquele mesmo núcleo fundamental do mundo criado – que é posto em causa pela serpente, pondo a harmonia e a justiçã da criação de Deus em perigo de morte. A confiança da família humana em Deus morre no jardim do Éden.

a queda

O pecado que ​tem lugar é a desobediência, a humanidade desobedece a Deus ao comer do fruto proibido, transformando o fruto num furto. Mas esta desobediência é o resultado de uma crise da confiança, e esse é o verdadeiro pecado original, o pecado que dá origem ao mal e ao sofrimento no mundo, o pecado que contamina por contágio, como pandemia, os corações humanos e as sociedades. Desconfiando de Deus, o homem e a mulher acabam por trair a missão que tinha sido posta nas suas mãos, como dom de Deus. Caímos, de facto, do dom e do fruto, à dor e ao furto.

Desde um tal momento, a história da salvação, isto é, o plano de resgate que Deus põe em curso para reerguer a humanidade depende da recuperação da confiança agora ferida entre Deus e o homem. Veremos, na próxima etapa deste retiro, como esta confiança renasce, de modo admirável, em Jesus Cristo. Para já, porém, vale a pena usarmos algum tempo para contemplar a bondade e a confiabilidade de Deus, tal como nos são reveladas nos primeiros capítulos do Génesis, bem como o contraste que existe entre a nossa desconfiança e esses traços da personalidade de Deus.

1. Olhando para os últimos tempos da minha vida, onde encontro sinais claros da bondade e da confiabilidade de Deus? Onde é que Ele me deu provas do seu amor? Consigo identificar 3 ou 4 situações em que a Sua presença tenha sido transfomadora na minha vida?

2. Em que circunstâncias me é mais difícil confiar em Deus? Porquê?

3. Durante uns minutos, sem pressa, escrevo uma oração em que agradeço a Deus o que faz por mim, e em que lhe peço ajuda para confiar mais e para não ter medo de lhe entregar o que sou.

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