Agnus_Dei_20170313_pc.jpg

a cor da humildade

5ª etapa

Hoje, antes de iniciar mais uma etapa, guardo alguns minutos para fixar os olhos e o coração em Jesus, agradecendo que Ele me tenha dado este tempo de oração que estou agora a começar, e pedindo as graças concretas de que preciso, especialmente a graça de entrar, de uma forma ainda mais profunda, no mistério da Cruz do Senhor.

a cruz é central para a missão de jesus

Deus, que é todo-poderoso e cheio de sabedoria, poderia ter escolhido um número infinito de formas par redimir a humanidade caída no pecado. De entre todas essas possibilidades, escolheu a Encarnação, a Paixão, a Morte e a Ressurreição da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Por esta razão, sabemos que a Cruz não foi um erro ou um precalço inesperado. Os acontecimentos e as profecias do Antigo Testamento apontam para a Cruz. O próprio Jesus explicou que a Cruz era a dimensão necessária e central da sua missão redentora. Aos Doze, disse:

O Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, tem de ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.

– Lucas 9, 22

E depois, quando o dia fatídico da crucificação se aproximava, e Jesus começa a sentir tensão e angústia, insistiu na mesma ideia, ao dizer:

Agora a minha alma está perturbada. E que hei-de Eu dizer? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente para esta hora é que Eu vim!

– João 12, 27

Não há dúvida: a centralidade da Cruz impõe-se. Mas porquê?

desatando o nó do jardim do éden

A resposta para a pergunta anterior é vasta e misteriosa. Mas há pelo menos uma razão que nos é dado conhecer. Para isso, voltemos ao início. O plano original de Deus para a família humana tinha sido sabotado pelo pecado, por meio do qual os homem e a mulher ignoraram a absoluta confiabilidade de Deus e se afastaram da amizade com Ele. Assim entrou no mundo o mal, o sofrimento, a morte. Em certo sentido, na raiz do pecado estava como que uma arrogância, uma procura de auto-suficiência.

Neste pecado, o homem preferiu-se a si próprio a Deus, e por isso desprezou Deus: optou por si próprio contra Deus, contra as exigências da sua condição de criatura e, daí, contra o seu próprio bem. Constituído num estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente «divinizado» por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis ser como Deus, mas sem Deus, em vez de Deus, e não segundo Deus.

– Catecismo da Igreja Católica, 398

Depois do pecado original, Deus tinha, podemos dizer, uma escolha para fazer: podia abandonar a humanidade que se havia rebelado, deixando-a arcar com toda a extensão das consequências dos seus actos, ou podia salvar e redimir.

Deus escolheu a segunda opção: enviou um Salvador e Redentor, Jesus Cristo. E Jesus, para reparar a destruição causada pelo pecado, reverteu a soberba da auto-suficiência na humildade da obediência. Em vez de se exaltar, como o homem e a mulher tinham procurado fazer, Cristo desceu. Eis como São Paulo o descreve:

Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquiliou-se a si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz.

– Filipenses 2, 5-8

Ao obedecer até ao extremo da absoluta humildade, Jesus desatou o nó do pecado original e reconstruiu a comunhão entre Deus e a família humana, entre o céu e a terra.

A cor do «humus»

Por este sacrifício de humildade, podemos dizer que a primeira cor da Cruz é o castanho-terra do madeiro. A palavra «humildade» tem a sua raiz na palavra latina «humus», que à letra significa terra, solo, chão. E «humus» é também raiz da palavra «humanidade». Um acto de humildade implica sempre uma insistência, quase teimosia, em permanecer no lugar de criatura, em permanecer como filho na terra criada. É como que o oposto do pecado: no Éden ou na Torre de Babel ou na nossa vida a tentação é justamente sair do lugar de criatura, desistir de ser filho, esquecedo o pó da terra que nos constitui.

A Cruz é cor de terra, porque é o grande palco em que entra em cena o maior acto de humildade da história humana, que repara o pecado do limiar das origens da humanidade.

a beleza da humildade

A Cruz é central na missão de Jesus porque ele veio justamente para expiar o pecado, e só uma humildade absoluta e inteira é capaz de o fazer, e só Jesus é capaz de uma humildade absoluta e inteira.

Para nós, o estado natural seria a humildade – isto é, a capacidade de permanecer criatura, pó da terra. A soberba e a arrogância deveriam ser-nos estranhas. Jesus, por outro lado, é o Verbo de Deus feito carne: era digno e justo que fosse reverenciado, adorado e elevado. E, ainda assim, por nós homens e para nossa salvação, para reparar aquilo que havíamos destruído e que não pudéramos reparar por nossa conta, Jesus escolheu ser rejeitado e humilhado até ao extremo da Cruz.

Se assim não fosse, não haveria esperança para nós, e não recuperaríamos a vida em abundância, a vida eterna, que o pecado nos fez perder e que almejamos do fundo do nosso coração. A humildade é o solo de onde nasce a verdadeira alegria, tal como o «humus» é o solo de onde brota a vida terrena.

Quando olhamos para a Cruz, é esta beleza da humildade que vemos?

Quando olhamos para a Cruz, deixamo-nos maravilhar por este Deus que aceita ir a este extermo a fim de recuperar a ovelha desgarrada?

Quando olhamos para a Cruz, o nosso coração enche-se de gratidão?

Quando olhamos para a Cruz, somos levados ao arrependimento?

Quando olhamos para a Cruz, sentimo-nos chamados a segui-la?

É bom gastar tempo «a olhar para aquele que trespassámos», meditando nesta Cruz cor de terra, cor de humildade, esperança e salvação.

para rezar

1. Quando foi a última vez que contemplei a Cruz e agradeci a Jesus o que Ele fez por mim naquela primeira Sexta-feira Santa? O que é que costumo experimentar ao olhar para o Crucificado?

2. Ao morrer na Cruz, Jesus tinha-me no pensamento. Em que é que ele pensava, em concreto, quando pensava em mim? Se Cristo me pudesse ter dito alguma coisa enquanto estava na Cruz, o que é que me diria? Aproveito este momento para conversar com Jesus, abro o coração diante daquele que abriu para mim o seu lado.

3. O que é que me vem à cabeça quando penso na virtude da humildade? Que papel tem a humildade no meu percurso de crescimento espiritual? Que papel quero que a humildade passe a ter?

Agnus_Dei_20170313_pc.jpg

CONTACTOS

Onde estamos?

Edifício da Biblioteca
João Paulo II:
a Capela é no piso -1

e a Capelania é no piso 2.

missa

​Às Terças e Quintas,
à uma.

confissões

A combinar
com o capelão.

favpng_logo-whatsapp-icon_edited_edited.

Contactos

  • Facebook
  • Instagram

©️ Capelania da Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, 2021