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a cor do amor

6ª etapa

Hoje, antes de iniciar mais uma etapa, guardo alguns minutos para fixar os olhos e o coração em Jesus, agradecendo que Ele me tenha dado este tempo de oração que estou agora a começar, e pedindo as graças concretas de que preciso, especialmente a graça de entrar, de uma forma ainda mais profunda, no mistério da Cruz do Senhor.

a cruz é a nova árvore da vida

A Cruz, como v​íamos na etapa anterior, é o centro da missão de Jesus, em que a absoluta humildade é capaz de reverter a soberba do pecado. Tendo sido central para Jesus, a Cruz precisa de ser absolutamente decisiva nas vidas dos seus discípulos. E Jesus é extraordinariamente claro quanto a isso:

Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia, e siga-me.

– Lucas 9, 23

Por meio da sua Cruz, Jesus abriu o caminho para a Vida Eterna. Os Padres da Igreja, no mesmo sentido, reconheciam na Cruz a Nova Árvore da Vida, tomando o lugar da Árvore que, no livro do Génesis, estava no meio do Jadrim, e que tinha sido perdida com o pecado.

 

Não é difícil compreender que todos temos uma Cruz, na medida em que o sofrimento é como que um existencial, e niguém está isento da dificuldade e da dureza da vida. Não será tão fácil, no entanto, compreender o modo pelo qual estas nossas cruzes podem ser postas ao serviço da nossa vida espiritual, renovando a vida da graça nos corações. Como? – perguntamos.

Quando ainda éramos pecadores

A resposta está na segunda cor da Cruz: vermelho – a cor do Sangue de Cristo, que jorra do seu lado aberto, tingindo o madeiro da Cruz e revelando de uma vez para sempre a motivação por trás do sacrificio redentor de Jesus: o amor. O vermelho é a cor do sangue, e o sangue é o símbolo da vida.

Com efeito, o mundo intelectual do Antigo Testamento, no qual Jesus cresce, não pensa com conceitos, mas está permanentemente imerso no que a vida tem de mais concreto. No momento da Ceia, Jesus diz por separado «Isto é o meu corpo entregue» e «Isto é o meu sangue derramado». Desta forma, ele separa o seu corpo e o seu sangue, anunciando a sua morte. Um corpo separado do seu sangue é um corpo que já não vive. Quando na Útima Ceia dá o seu corpo e sangue aos seus discípulos, Jesus dá-lhes a sua vida, tal como a entregará plenamente no dia seguinte na Cruz. Vermelho é a cor do sangue, o sangue é o símbolo da vida, a vida encontra significado no amor. Assim, em São João, ouvimos:

Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos.

– João 15, 13

Na Cruz, Jesus revela o drama do pecado, mas desvela a totalidade do seu amor: Ele não nos redime porque o mereçamos ou porque «tinha que ser», mas porque nos ama, porque nos amou gratuitamente, sem esperar que nos tornássemos dignos desse amor. Amou-nos quando ainda éramos pecadores.

De facto, quando ainda éramos fracos é que Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa boa talvez alguém se atreva a morrer. Mas é assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós.

– Romanos 5, 6-8

É possível – é até comum – que possamos duvidar de tudo isto. Mas, num tal momento, basta que vamos à Missa, ou que nos ajoelhemos diante do Sacrário, para que encontremos o mesmo dom de um Deus que não apenas se faz homem, mas se faz pão, se faz alimento. Com efeito, enquanto estamos neste mundo, enquanto ainda nos vemos imersos no pecado, Jesus dá-se totalmente na Eucaristia.

Eis aí a segunda cor da Cruz, a cor do amor, brilhando serena mas eficazmente, recordando-nos que o amor de Deus por nós é inteiro, total, sem condições.

o segredo da confiança

No vermelho profundo do amor de Cristo, encontramos o segredo que nos ajuda a carregar a nossa cruz. A nossa natureza, ferida pelo pecado, rejeita e foge da Cruz. Não gostamos de enfrentar dificuldades e sofrimentos, confusão e rejeição, desapontamento e traição. E apesar de tudo Deus permite que assim aconteça. Se o faz, é porque sabe que apenas encontraremos a alegria e  o significado que almejamos se continuarmos a aprofundar a amizade com Ele. E a amizade é sempre construída sobre a confiança. Para crescer na amizade com Jesus, portanto, precisamos de crescer em confiança e abandono nas suas mãos. Só assim podemos dizer, com Jesus:

Abbá, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, e o que Tu queres.

– Marcos 14, 36

A Cruz tingida de sangue prova que Ele nunca nos abandonará, é uma insistência de Deus em mostrar-se como se mostrara no Génesis: total e absolutamente confiável, capaz de reconstruir a história até do mais despedaçado dos seus filhos, pronto a trazer ressurreição às nossas cruzes. É esta a sua promessa, com que podemos contar para sempre.

O amor total que, em Jesus, Deus nos faz experimentar torna-nos livres, livres para o amar mais, livres para sermos santos.

a beleza da humildade

Jesus sabe que, neste nosso mundo ferido pelo pecado, onde tantas injustiças parecem sobrevir e onde o sofrimento espreita a cada esquina, não raras vezes nos é difícil confiar nele, obedecer-lhe e aceitar a sua vontade quando ela é exigente.

Jesus sabe também que só seremos capazes de lhe obedecer e de aceitar o que nos propõe, se estivermos profundamente convencidos de que Ele é digno da nossa confiança, de que nos ama profunda e incondicionalmente e de que jamais nos abandonará. Em certo sentido, confiar nele é viver com esperança, não a esperança de um «vai tudo correr bem» mais ou menos superficial e passageiro, mas a esperança de quem sabe que está bem entregue, de que está em boas mãos, venha o que vier, aconteça o que acontecer, doa o que doer.

 

É esta a mensagem e a segunda cor da Cruz: o vermelho do sangue de Cristo. Vale a pena gastar algum tempo para permitir que o Espírito Santo nos recorde desta verdade e, se necessário, que nos persuada da absoluta confiabilidade do nosso Deus, intimamente ligada ao amor que nos tem, sempre pessoal e total que o leva a ir até ao extremo para nosso bem.

para rezar

1. Volto a contemplar a Cruz. Largamente e sem pressas. Depois, respondo com as minhas palavras, conversando com Jesus, à pergunta «por que razão foi necessário tanto sofimento?».

2. Até que ponto estou convencido do amor de Deus por mim? Em que situações da minha vida pude experimentar esse amor total? Continuando a «olhar para aquele que trespassámos», converso com Jesus sobre esses momenctos da minha vida.

3. No passado, quando é que vi a minha confiança em Deus ser posta à prova? O que é que aprendi e pude reter dessas experiências? PEço a luz do Espírito Santo e escrevo as razões que tenho para confiar em Deus sem reservas.

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